Alexandra

Tudo na minha vida está de ponta cabeça e como sempre sou a vilã da história. Quero pelo menos uma vez na vida fazer a coisa certa. Eu estava decidida em dar uma chance a Tom, quem sabe assim todos ficam felizes, não é?

 

Então não pensei em mais nada a não ser estar ali com Tom, de me entregar de corpo e alma para uma nova vida que eu quero construir ao seu lado, quem sabe assim Bill me deixa em paz e a Ana finalmente possa ser feliz ao lado do homem que ela ama.

 

 

Eu estava com a mente em outro lugar. Eu sempre soube que Tom tinha sentimentos por mim, mas nunca tive coragem de corresponder. No entanto, algo em meu coração mudou naquele momento, eu percebi que estava cansada de negar o que eu estava começando a sentir por ele. Tom notou que eu estava quieta e perguntou se estava bem. Então respirei fundo e coloquei meu plano em prática.

 

— Tom, eu quero te dar uma chance de verdade. - Eu disse olhando em seus olhos.

 

Tom olhou pra mim surpreso, mas feliz. Ele não esperava que eu finalmente dissesse isso. Nos olhamos por um momento e em seguida, Tom colocou sua mão em meu rosto me fazendo um leve carinho.

 

— Eu estou tão feliz que você finalmente me deu uma chance. - Ele disse com um sorriso.

 

Sorri de volta, sentindo uma sensação de alívio. Eu sabia que havia tomado a decisão certa. Continuamos assistindo ao filme juntos, mas desta vez, com uma sensação diferente no ar - a promessa de um futuro juntos.

 

Já no meio da tarde, Tom deu uma desculpa qualquer dizendo que tinha que resolver algumas coisas, mas que era pra eu estar pronta as 8 horas, pois iriamos jantar fora.

 

 Tom

 

Eu saí da casa de Alexandra, me sentindo nas nuvens. Finalmente, ela tinha me dado uma chance e eu estava ansioso para mostrar o quanto ela significava para mim. Eu sabia que precisava fazer algo especial para oficializar o nosso relacionamento, então decidi sair e comprar uma aliança de namoro, eu queria que fosse algo simbólico e bonito, que mostrasse meu compromisso com ela.

 

Fui até o centro, eu estava eufórico com o que eu tinha planejado. Assim que cheguei na loja, dei uma olhada por cima, não entendia muito dessas coisas, então depois de um tempo escolhendo, finalmente encontrei o que eu queria, paguei e fui logo pra casa acertar alguns detalhes antes do jantar. Reservei um restaurante, eu quero algo romântico para o jantar dessa noite, eu queria tornar o momento memorável e inesquecível pra ela.

 

Dando o horário fui buscar a minha futura namorada, Alexandra está linda como sempre, como ela consegue ser tão perfeita? Posso estar sendo um bobo apaixonado, mas quero aproveitar cada momento ao lado dela, quero construir memórias.

 

Quando chegamos ao restaurante, fomos até a mesa que estava decorada com velas e flores, Alexandra ficou surpresa e encantada com a cena. Peguei a mão dela e já fui logo dando o meu melhor.

 

— Alexs eu quero que você saiba o quanto você significa para mim. Eu sempre te amei e nunca me imaginei com outra pessoa além de você. Agora que você me deu uma chance, eu quero oficializar nosso relacionamento.

 

Alexs ficou sem palavras, mas seus olhos brilhavam de felicidade. Eu coloquei a aliança em seu dedo e ela me abraçou emocionada. Jantamos juntos, conversando sobre o futuro e fazendo planos. Eu estava radiante por ter Alexandra ao meu lado e sentia que finalmente tinha encontrado a felicidade que tanto procurava.

 

 Alexandra

 

A cada momento Tom me surpreendia, eu não conhecia esse lado apaixonado dele e confesso que estava gostando. Pedido perfeito, jantar perfeito, não tem como não se apaixonar pelo homem incrível que ele é.

 

Tenho medo de magoá-lo, mas quero me arriscar, quero poder seguir em frente com a minha vida.

 

— No que tanto pensa? - Ele disse bebendo um gole do vinho.

 

— Na minha vida, o quanto eu tive que sofrer pra conseguir um pouco de felicidade no final.

 

— Obrigado por me dar uma chance, uma chance de te fazer feliz.

 

— Eu é que agradeço por você ter paciência comigo.

 

Eu estava vendo que a nossa noite ainda só estava começando e com toda a certeza eu queria fechar com chave de ouro.


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Alexandra

Eu estava me sentindo mal pelo rumo que minha vida tomou, em um dia o homem que eu estava realmente amando me pediu em casamento, era pra ser o dia mais perfeito da minha vida, mas como sempre o destino resolveu brincar com os meus sentimentos e me dar uma rasteira me puxando pra realidade novamente.

 

Ficar longe de Bill estava sendo uma tortura, mas eu tinha que ser forte e virar essa página da minha vida de uma vez por todas. Scott era um grande amigo e ele fazia muita diferença na minha vida. Ele conseguia me fazer sorrir em um momento que eu queria muito chorar.

 

Saímos e eu não tinha ideia de onde ele me levaria. Assim que montamos na moto ele deu a partida e voou pelo asfalto. Eu sentia meus cabelos agitados por conta do vento. O sol brilhava forte, um ótimo dia pra ficar de bobeira. Fomos direto para o centro, especificamente para um hospital, confesso que fiquei confusa com isso, mas não disse nada.

 

Assim que ele estacionou a moto, desci para ajeitar meus cabelos que estavam desgrenhados, enquanto ele travava a moto. Depois de tudo verificado, ele pegou em minha mão e foi me conduzindo para dentro do hospital. Ele falou algo com a recepcionista, e logo fomos adentrando o lugar. Depois de pegarmos um corredor bem comprido, entramos por uma porta e logo veio a surpresa, estávamos em uma ala cheia de leitos com crianças, que assim que perceberam nossa presença elas sorriram e uma delas veio ao nosso encontro e abraçou Scott pelas pernas.

 

― Oi tio Scott! – O garotinho disse animado.

 

― Hey Gabriel! Como está se sentindo hoje?

 

― Bem melhor... Hoje não tive que tomar aquele remédio ruim. – Ele disse fazendo uma careta.

 

― O que eu disse sobre os remédios? – Scott disse pegando o garotinho no colo.

 

― Mesmo sendo ruim que tenho que tomar pra logo eu ir pra casa.

 

― Isso mesmo.

 

― Hoje o senhor trouxe sua namorada? - O garotinho disse me analisando.

 

― Ela é apenas uma amiga.

 

― Ela é linda.

 

― Oi. – Eu disse um pouco envergonhada.

 

― Essa é a Alexandra, estudamos juntos lá na Uni.

 

― Lindo nome... – Ele disse com um largo sorriso. – Me chamo Gabriel.

 

Depois de nos cumprimentarmos, ele nos conduziu pelo quarto apresentando todos seus amigos. Pela nossa conversa, soube que ele estava na batalha contra leucemia, assim como as outras crianças por ali que também estavam em tratamento. Jamais imaginei que Scott dedicava parte do seu tempo em um hospital rodeado de crianças.

 

Scott fazia a diferença para aquelas crianças, dava pra ver a felicidade delas em seus rostos, ele contava histórias, brincava, mal tinha tempo para tristeza ali, é lindo ver como eles interagem. Passamos o dia todo com eles e ao fim eu nem queria ir embora, mas prometi voltar outra vez.

 

Já no estacionamento...

 

― E aí, o que achou das crianças?

 

― Eles são incríveis! É bom ver que mesmo sendo crianças e mesmo passando por essa doença terrível, que eles têm esperança de ficarem curados.

 

― Meu tio é o chefe por aqui, lembro quando minha mãe estava mal, passamos um inferno com a doença dela, e vendo como eu estava meu tio me levou pra conhecer outras crianças na mesma situação que a minha mãe e desde então, sempre que posso apareço.

 

― Nossos problemas são tão pequenos, chegando a ser insignificantes perto de tudo o que eles passam aqui.

 

― Sim, e eu tento trazer um pouco de alegria na vida delas. Meu tio me contou que o dia que eu não apareço eles ficam desanimados, por isso faço de tudo, pra pelo menos dar uma passada rápida por aqui, não gosto de ver meus pequenos tristes pelos cantos.

 

― A próxima vez que você voltar aqui me avise, pois quero vir também. Amei passar o dia com eles.

 

― Pode deixar. – Ele disse montando na moto. – Vamos comer algo, pois estou morrendo de fome.

 

Esse dia maravilhoso com as crianças me fez pensar em como sou uma idiota por fazer coisas sem pensar. Pessoas lutando para viver e eu aqui querendo desistir da minha. Não demorou muito para que chegássemos ao shopping e logo fomos ao MC comer algo.

 

Depois de comermos e jogarmos conversa fora, Scott me levou pra casa, eu estava cansada e só queria saber da minha cama. Assim que chegamos, os despedimos e logo entrei, pois estava doida por um banho. Já em meu quarto, fui direto para o banheiro. Quinze minutos depois, devidamente limpa e já com uma roupa mais fresca, fui até a cozinha pegar algumas bobeiras pra comer e logo fui pro quarto maratonar alguma serie.

 

Eu ainda estava escolhendo a serie quando ouço a campainha tocar e não demorou muito para que alguém batesse na porta.

 

― Pode entrar.

 

― Hey sumida. – Tom disse entrando. – Por onde você andou? Eu apareci aqui mais cedo e você não estava.

 

― Tive um compromisso importante com um amigo.

 

― Eu encontrei o seu trabalho em cima da mesa, então eu peguei e entreguei lá na Uni – Ele disse sentando-se ao meu lado da cama.

 

― O que seria de mim sem você, não é? – Eu disse rindo.

 

― O que vamos assistir de bom? – Ele disse animado.

 

― Eu estava pensando em assistir Sabrina... O povo da minha sala não para de falar sobre a série.

 

― Posso assistir com você?

 

― Claro, se acomoda aí.

 

Então lá começamos a assistir o primeiro episódio animados. Já no terceiro episódio consecutivo, me levantei e fui pegar refrigerantes pra nós. Quando eu estava voltando Tom veio ao meu encontro e assim que entramos no quarto ele pegou os refrigerantes da minha mão e os colocou na mesinha. Assim que me deitei na cama, Tom foi mais rápido e me puxou e acabei deitando em cima dele.

 

― Você é doido? – Eu disse rindo.

 

― Sim... Doido por você. – Ele disse ele me dando um selinho. – Senti sua falta hoje.

 

― Mas só fiquei fora por algumas horas.

 

― Mas foi o suficiente pra ter a certeza de que não consigo ficar um minuto longe de você. – Ele disse com um lindo sorriso nos lábios.

 

― Sempre tão exagerado... – Eu disse começando a trilhar beijos por seu pescoço. – O que posso fazer pra me redimir com você? – Perguntei sugestiva.

 

Ele não respondeu, apenas sorriu e uniu nossos lábios em um beijo intenso. Não sei por quanto tempo que o nosso beijo durou, mas assim que nos separamos eu pude ver todo o desejo nos olhos de Tom. Se eu queria esquecer Bill de vez essa era a hora, eu teria uma vida ao lado de Tom e por um ponto final no que um dia eu tive com o irmão dele.


Próximo


 


 Ana

Eu tentava me divertir, mas estar sem minha melhor amiga estava sendo difícil. Eu mal conhecia as pessoas por ali, Bill resolveu me deixar sozinha e isso já estava me irritando, até que resolvi dar uma volta.

 

Resolvi sair pra fora, a piscina parecia estar animada. Ao longe avistei Tom e Bill, eles pareciam estar discutindo, olhei ao redor e vi Alexs conversando com algumas garotas, até que uma delas a puxou em direção a uma imensa mesa que se encontrava no meio do jardim. O pessoal que estava em volta começou a atiçar, até que finalmente ela e as garotas sobem em cima da mesa e começaram a dançar.

 

O pessoal estava indo a loucura e elas dançavam animadas. Não demorou muito para que a farra chamasse a atenção dos Kaulitz. Tom a olhava de um jeito bobo, já Bill a olhava com raiva, parecia estar morrendo de ciúmes daquela cena. Até que para a minha surpresa, Bill foi até a mesa, mas foi segurado por Tom. Bill parecia estar possuído e com apenas um empurrão se livrou de Tom e se aproximou da mesa, pegou ela pelas pernas e a jogou nas costas sob protestos de muitos que estavam ali e a levou para um canto afastado.

 

Logo eu e Tom fomos atrás, ela se debatia, mas parecia não fazer efeito sobre Bill. Assim que chegamos em um lugar mais calmo ele a colocou no chão e ela começou a estapeá-lo.

 

— Qual é o seu problema garota?! –Ele disse segurando seus braços. – Quer se aparecer, fica nua e corra pelo jardim!

 

— Eu não estava fazendo nada demais, seu idiota!

 

— Não quero ver você se exibindo pra esses babacas!

 

— Entenda de uma vez Bill... Não temos nada um com o outro... Siga em frente como eu também segui.

 

Nisso ela saiu sem olhar pra trás. Confesso que fiquei chateada por ver o ciúmes que eu sabia que nunca teria pra mim. Pensando nisso eu apenas saí, eu só queria ficar sozinha. Eu já estava na rua quando sinto alguém segurar em meu braço.

 

— Hey... Aonde você vai? – Perguntou Tom parecendo preocupado.

 

— Qualquer lugar... Só não quero ficar aqui e ver que nunca terei o Bill... Dói ver que eles são infelizes por minha causa... Talvez se eu não fosse fã... Será que ele olharia pra mim diferente? – Eu disse começando a chorar.

 

— Por favor... Não chore... – Ele disse me abraçando apertado. – Saiba que o que você e o Bill tem não é nada... Com a Alexs foi ainda pior.

 

— Se você está tentando me consolar... – Eu disse me afastando de Tom.

 

— É verdade... Mas não vamos falar sobre isso agora... Venha... Vamos procurar a Alexs e vamos pra casa.

 

 

Alexandra

 

Juro que estou sem paciência pra entender nada! Eles ficaram em cima de mim para que eu viesse a festa e quando tento me divertir o Bill dá de louco comigo! Sério! Esse garoto é bipolar demais pra eu entender.

 

Peguei meu celular e logo chamei um taxi e depois mandei uma mensagem pra Tom dizendo que já estava indo pra casa. Confesso que se continuar assim, terei que mudar de universidade. Tenho prioridades mais importantes no momento do que ficar quebrando a cabeça com isso.

 

Ao chegar em casa logo troquei de roupa, tomei um analgésico pra minha enxaqueca e logo me deitei, eu só queria poder descansar um pouco.

 

 

Acordei e já era umas nove da manhã, eu teria que aparecer na universidade as onze para entregar um trabalho e depois eu iria direto para o centro resolver alguns problemas. Eu estava tomando meu café da manhã quando a campainha tocou e logo a empregada apareceu com Scott.

 

— Bom dia minha flor. – Ele disse vindo até mim e me dando um beijo no rosto.

 

— Bom dia. – Eu disse sorrindo. – O que te trás cedo aqui?

 

— Você. – Ele disse puxando a cadeira a meu lado e se sentando. – Ontem você sumiu... Fiquei preocupado.

 

— Problemas como sempre. – Eu disse pegando um copo e servindo café pra ele.

 

— Deixa-me ver se adivinho... Seus amigos? – Ele disse erguendo uma sobrancelha.

 

— Sim.

 

— Não te entendo... Se eles são o problema, por que você sai com eles?

 

— É que a Ana insistiu muito para que eu fosse a festa com ela e o Tom acabou se empolgando... Não tive como dizer não.

 

— Você precisa se distrair... – Ele disse bebendo um gole de seu café. – E eu já sei o que fazer...

 

— O que você tem em mente?

 

— Segredo... – Ele disse sorrindo. – Troque de roupa e coloque algo mais leve... Hoje você é todinha minha.

 

— Temos aula!

 

— Esqueça disso por hoje... Quero que você apenas relaxe e aproveite a vida ao meu lado...

 

Eu estava vendo que Scott iria aprontar... Só espero que tudo fique tranquilo, estou realmente cansada de ter que lidar com os meus problemas.

 

 



 Bill

O que tenho que fazer para que todos entendam que a mulher que amo e quero ao meu lado é a Alexs? Não consigo aceitar o fato de não estarmos juntos porque sua melhor amiga me ama incondicionalmente e a culpa por isso. Percebi o seu joguinho e farei de tudo para reverter isso tudo, ela está se aproximando do meu irmão para me manter longe dela e o que me irrita é que ele está se aproveitando disso.

 

Tenho que bolar algo para me aproximar dela, mas com a Ana colada em mim fica difícil. Então foi pensando nisso que pensei em ter uma conversa com ela e deixar bem claro de que entre nós não haverá nada. Eu estava pensando nisso quando escuto a campainha tocando fui atender e dei de cara com uma Ana sorrindo, toda alegre, naquele mundinho cor de rosa que tanto me irrita.

 

— Preciso falar com você. – Ela disse com um sorriso que me deixo mais pra baixo se é que isso é possível e logo foi entrando.

 

— Eu também preciso falar com você. – Eu disse sério fechando a porta e a acompanhando até a sala.

 

— Deixa eu falar primeiro. – Ela disse empolgada. – Hoje vai ter uma festa!

 

— Festinha dos populares... – Eu disse revirando os olhos. – E o que eu tenho a ver com isso?

 

— Eu falei com a Alexs e o Tom e marcamos de irmos. Então pensei em convidar você.

 

Estava aí a minha oportunidade de ficar a sós com Alexs.

 

— Ok estou dentro. – Eu disse sem humor algum. – Onde e que horas?

 

— Mais tarde eu mando o endereço pra vocês. – Ela disse em uma felicidade que estava me enjoando.

 

— Que fique bem claro que eu estou indo pra me divertir e não para um encontro com você. – Eu disse diretamente para que ela não criasse esperanças entre nós.

 

— Seja sincero uma vez na vida e diga que você está indo por causa da Alexs. – Ela disse ficando seria.

 

— Olha me desculpa se sou grosso é que não quero que você crie esperanças em que vamos ficar juntos e vivermos felizes para sempre.

 

— Você nunca vai me perdoar, não é? Vai me condenar pro resto da vida pelo ocorrido.

 

— Sei que você é fã, sei do seu amor pela banda e tals, eu realmente aprecio isso, mas até pensar que vai viver um conto de fadas comigo, aí já é algo surreal.

 

— Mas a Alexs é fã do mesmo modo que eu, o que ela tem de diferente? – Ela disse parecendo estar muito magoada.

 

— Nos conhecemos em circunstâncias diferentes, totalmente por acaso e essa falta de noção dela só ajudou para as coisas entre nós fluírem normalmente. Ela é fã, mas em todos os momentos que passamos juntos ela não estava com o Bill Kaulitz, vocalista da banda Tokio Hotel e sim o Piriguete Rokeira, o cara que ela conheceu em uma boate. Pela primeira vez na vida conheci uma mulher que me notou realmente como sou e não a minha fama isso que me encantou nela, ela foi sincera comigo desde o início, se alguém foi desonesto nessa história foi eu e o Tom. Raramente quando conversávamos de coisas que ela gosta ela tocou no nome da banda, dizia que eu era muito parecido com o Bill, mas logo mudei meu estilo não dando a chance dela chegar a verdade sobre nós.

 

— Então...

 

— Sim, estávamos juntos sem ela saber quem eu era. Ela sempre me disse sobre a verdadeira adoração que a melhor amiga dela tem por Bill Kaulitz, ela até dizia que eu era um homem proibido porque eu pertencia a você. Então ela realmente não tem culpa de nada, não tinha o porquê de você condená-la daquela forma.

 

Nisso Ana começou a chorar, sentindo culpa de como tratou Alexs.

 

— Ela é minha melhor amiga, sei que ela tem sérios problemas, sempre estive com ela desde o começo, mas o ciúmes me cegou. Eu deveria ter vigiado de perto, eu não sabia que ela estava piorando.

 

— Do que você está falando? – Eu disse preocupado.

 

— O acidente que ela sofreu foi feio demais, todos pensaram que ela havia morrido, mas a encontraram entre as ferragens, Thor a protegeu com o próprio corpo, ela ficou em coma porque bateu a cabeça e isso teve consequências serias. No início quando ela acordou ela não me reconheceu e nem mesmo a família, isso levou um tempo até a memória dela voltar e ela se dar conta do acidente e da morte de Thor. Ela nunca se perdoou por isso. Ela toma remédios muito fortes para a cabeça, porque às vezes da surto nela, ela tem pesadelos horríveis que ela acha que são reais, ela não consegue guardar as coisas na cabeça, as vezes dá branco nela na prova, isso é desesperador.

 

— Você acha que ela está tomando os remédios direito?

 

— Conhecendo-a como conheço eu tenho certeza que não.

 

— Temos que ficar em cima, não podemos deixar que algo pior aconteça.

 

Ficamos um bom tempo conversando sobre Alexs, tínhamos que acompanhá-la de perto.

 

 Tom

Depois de falarmos com Ana, eu e Alexs fomos direto para um restaurante no centro almoçar. Conversávamos banalidades até que o celular dela apitou e ela rapidamente deu uma olhada, mas logo o desligou.

 

— Quem era? – Eu disse totalmente curioso.

 

— Um amigo. É que sempre estudamos e fazemos nossos trabalhos juntos e hoje eu não apareci, mas já o respondi.

 

— Mais um pretendente?

 

— Eu gosto muito do Scott, ele sempre me ajudou com a matéria, é um ótimo amigo. Ele parece que está a fim de mim, mas ele sabe que não rola.

 

Assim que terminamos fomos direto para sua cobertura, passamos a tarde toda juntos vendo filmes. Já no final da tarde recebi uma mensagem de Ana com o endereço da festa, me despedi de Alexs, já combinando de buscá-la mais tarde pra irmos juntos a tal festa.

 

Ao chegar em casa tomei um banho e fui descansar um pouco, estranhei da casa estar em um silêncio total, Bill não se encontrava então fui pro quarto me deitar e ver TV até o horário de me arrumar. Não sei quanto tempo se passou até eu ouvir barulho, olhei no relógio e eram umas 10 horas da noite, não demorou muito para que Bill batesse na porta e entrasse antes mesmo de eu dizer alguma coisa.

 

— Que horas você vai sair daqui?

 

— Umas onze e meia porquê?

 

— Só pra saber, eu ainda tenho que pegar a Ana.   

 

— Vocês finalmente se acertaram? – Eu disse com um fio de esperança.

 

— Tira esse sorrisinho da cara, você sabe quem eu realmente amo. – Ele disse mal humorado.

 

— Mas ela não te quer, por que não tenta entender isso?

 

— Sei dos problemas que ela enfrenta, sei que realmente não teve a intenção de magoar a Ana e ela também sabe disso. Juntos vamos tentar chegar a uma solução. A Alexs realmente precisa de ajuda e sabemos que juntos podemos ajudá-la.

 

— Você fala de um jeito... – Eu disse preocupado.

 

— O importante é nos unir nesse momento... A Alexs precisa da nossa ajuda.

 

Aquela conversa realmente foi estranha e confesso que me apavorei. Ele deu a entender que a qualquer momento possa acontecer algo com a Alexs. Foi pensando nisso que fui para meu quarto me arrumar e dando a hora saímos, eu indo buscar Alexs e Bill indo buscar a Ana.

 

12:15 da madrugada – Casa de Gregory Montgomery

 

 

 Alexandra

Assim que chegamos a tal festa o lugar estava bombando. Som muito alto, estava apinhada de pessoas desconhecidas, mas eu sabia que Scott estaria aqui, ele sempre estava nos lugares mais badalados. Ao estacionar o carro Tom logo mandou uma mensagem para Bill para saber onde ele estava e não demorou muito para que ele recebesse a mensagem. Saímos do carro, Tom travou tudo e fomos caminhando em silêncio até a entrada, até que Bill e Ana apareceram em nosso campo de visão e veio falar com a gente. Depois de nos cumprimentar logo fomos entrando. Estávamos circulando quando sinto mãos em minha cintura e quando me viro vejo um Scott sorridente, me puxando para um beijo estalado na bochecha.

 

— Você veio princesa! –Ele disse alegre demais, com certeza já estava alto pela bebida. – Vejo que trouxe seus amigos. – Ele disse debochadamente olhando pra eles.

 

— Esse é o Tom, o irmão dele Bill e a Ana. – Eu disse indicando cada um deles. – Gente, esse é Scott Pratt.

 

— É bom conhecer os amigos da minha garota. – Ele disse debochadamente dando um beijo no meu pescoço.

 

— Sua garota está com sede. – Eu disse entrando na dele.

 

Ele não disse nada e apenas nos conduziu até o barzinho e logo fez o pedido e não demorou para sermos servidos, vodca, ele realmente estava querendo ficar louco.

 

— Vodca... Alguma comemoração especial? – Eu disse pegando o copo que ele me ofereceu.

 

— Sim, temos que comemorar com estilo a saída da nossa coelhinha da toca.

 

— Nossa que exagero! – Eu disse rindo.

 

Nisso virei o copo com tudo, bebendo sem fazer cara feia, como se fosse um copo com água. Quando olhei para Bill, Tom e Ana eles me olhavam estranhos.

 

— Que foi?

 

— Vai de vagar. – Alertou Ana.

 

— Vocês não queriam que eu me divertisse? É o que estou fazendo. – Eu disse sínica.

 

Logo nos misturamos, eu peguei Tom pela mão e fomos direto pra pista improvisada. Notei que Bill ficou ao longe me observando, mas preferi não de muita atenção. Depois de umas três músicas, Tom pegou minha mão e me conduziu para os fundos da casa.

 

— Já cansou?

 

— Não... Só queria um tempo a sós com você. – Ele disse sentando-se no banco e me puxando pra sentarem seu colo.

 

— E como andam as coisas com a Ana e o seu irmão? Eles já se acertaram?

 

— Não, mas ela está tentando.

 

— Eu estou na torcida por eles, sinceramente quero que eles se acertem. E nós?

 

— O que tem “nós”?

 

— Como anda?

 

— Se depender de mim muito bem. – Ele disse com um largo sorriso. – E você?

 

— Está indo... – Eu disse fazendo graça. – Mas falando sério... Eu estou querendo fazer algo amanhã... Não quero ficar de bobeira.

 

— O que acha de passarmos o dia juntos?

 

— Amei a ideia... Me surpreenda senhor Kaulitz. – Eu disse dando-lhe um selinho rápido.

 

— Atrapalho? – Bill disse brotando do inferno na nossa frente com um sorrisinho sínico.

 

— Não. – Eu disse sem graça.

 

— Hey Tom... Preciso de você...

 

Logo Tom saiu com Bill me deixando sozinha no banco, eu estava vendo que seria difícil de tirar o Bill da minha cola.

 


Próximo

 



Alexandra

 

Assim que saímos da lanchonete caminhamos em silencio até o carro, Tom abriu a porta pra mim, entrei sem dizer nada. Ao entrar no carro ele logo deu partida e pude ver Bill e Ana conversando na porta da lanchonete, pareciam discutir feio, mas eu não estava nem aí, eu só queria colocar um ponto final no que eu tive com o Bill. O que me deixa mais louca é que eu realmente estava gostando do Bill, por que isso tinha que acontecer comigo? Eu devo ter feito algo pra alguém lá em cima pra estarem me detonando dessa forma!

 

Eu estava em um maldito conflito interno quando Tom puxou assunto.

 

— Daria minha vida pra saber no que está pensando agora.

 

— Que exagero Tom. –Eu disse com a voz embargada, lutando para não chorar na sua frente.

 

— Você ainda não me disse onde está morando.

 

Logo lhe disse o endereço e em 10 minutos já estávamos em frente ao prédio.

 

— Bom...  Você está entregue. – Ele disse de uma forma triste que partiu meu coração.

 

— Você não quer entrar?

 

— Não quero atrapalhar.

 

— Você não atrapalha nunca. –Eu disse forçando o sorriso. - Entra por favor... Não quero ficar sozinha.

 

Vendo o meu desespero ele finalmente disse que entraria, pedi para que ele desse a volta para entrar no estacionamento. Ao estacionar, saímos do carro e fomos para o elevador em silêncio, já dentro da cobertura, coloquei as coisas em cima da mesa e fui direto pra cozinha seguida por Tom.

 

— Fica à vontade... Se quiser algo é só fuçar, se eu não me engano na geladeira tem pizza, refrigerante... É só fazer.

 

— Não obrigado, já comi antes de ir me encontrar com vocês na lanchonete.

 

Bebi um copo de água apenas enquanto Tom foi pegar refrigerante. Assim que terminei de beber, o deixei na cozinha e fui para o quarto trocar de roupa, tomei uma ducha rápida, me enxuguei e coloquei uma regata azul bebê colada e uma calça de moletom preta, calcei meu chinelo e voltei pra sala, encontrando Tom sentado na frente da TV rindo de algo, me aproximei e me sentei ao seu lado.

 

— Sinto falta disso... –Eu disse recostando no sofá.

 

— Disso o que? – Tom disse me olhando.

 

— De pessoas... Ter alguém pra ver TV comigo, rir de coisas bobas...

 

— E por que você não volta lá pra mansão? A Ana realmente está mal pelo que ela disse pra você.

 

— Ela não tem que se sentir mal, ela apenas disse a verdade. Eu odeio esse meu jeito desligado... Veja no que me meti.

 

— Você não tem culpa do que aconteceu.

 

— Eu não queria... Mas pelo visto vou ter que voltar a tomar os meus remédios e procurar um psiquiatra novamente. – Eu disse olhando para o chão.

 

— Você tem isso desde quando? –Ele disse parecendo preocupado.

 

— Desde o acidente...

 

Tom não disse nada, apenas me puxou para seus braços, me aninhou em seu corpo.

 

— Fique calma... – Ele disse dando um beijo em minha cabeça. – Vou te ajudar no que puder... Eu te prometo...

 

Ficamos ali até a escuridão tomar conta de mim.

 

 

Acordei sentindo uma paz, uma leveza no corpo, não queria me levantar, mas eu tinha que me arrumar e ir pra aula. Abri os olhos preguiçosamente, me estiquei e peguei meu IPhone na mesinha, desbloqueei e vi que ainda eram 6 horas da manhã, até que me lembrei de ter dormido no colo de Tom, mas onde ele estava?

 

Logo me levantei e fui tirando minha roupa, tomei um banho rápido e fiz minha higiene matinal. Me troquei e já fui pra cozinha preparar algo, optei por torradas e um leite. Assim que terminei, voltei para o quarto e vi dessa vez uma folha no chão ao lado da cama, eu devo ter derrubado quando peguei meu IPhone. Logo peguei e comecei a ler:

 

“Oi, minha linda. Desculpe por não ter te acordado, mas você estava dormindo tão gostoso... Não pude ficar, pois ando resolvendo algumas coisas pessoais, mas nos encontramos na hora do almoço ok. Tom.”

 

Homens... Eu disse revirando os olhos e acabei rindo igual uma idiota. Dobrei o papel e guardei na gaveta, fui pegar minhas coisas e logo fui para a Universidade, eu não queria me atrasar. A manhã estava sendo um tédio, estava difícil ignorar Ana, mas até que consegui sair de fininho quando ela me via no corredor. Assim que o sinal tocou arrumei minhas coisas, eu só queria poder sair dali. Eu estava chegando a rua quando sinto uma mão em meu braço me puxando e quando me viro vejo Ana.

 

— Oi. –Ela disse com um largo sorriso.

 

— Ah... Oi.

 

— O que você vai fazer mais tarde?

 

— Estou atolada com um trabalho, não tenho tempo nem pra mim.

 

— Um garoto da minha turma vai dar uma festa na casa dele e eu queria muito ir, então pensei em te convidar.

 

— Não tenho tempo para festas, mas obrigada por me convidar. –Eu disse ajeitando minhas coisas. – Porque não convida o Bill, assim vocês estarão mais juntos e...

 

— Ele está com raiva de mim... Pelo que aconteceu entre nós duas... Vocês dois...

 

— Homem é bem assim mesmo, mas dê um tempo a ele, só o tempo vai ajudar vocês dois.

 

— Está difícil sem você ao meu lado. –Ela disse parecendo triste.

 

— Você vai superar... Acredite. Tente ocupar o seu tempo com algum curso extra ou... Fiquei sabendo que sexta vai ter teste de líderes de torcida... Por que não tenta?

 

— Eu não curto mais essas coisas... Você vai tentar?

 

— Não... Direito está me sugando demais, eu não iria conseguir conciliar...

 

— Você nem gosta dessa matéria!

 

Quando eu fui responder, senti mãos em minha cintura e logo recebi um beijo na bochecha.

 

— Oi meninas. – Tom disse parecendo feliz.

 

— Oi. –Eu disse dando um sorriso.

 

— O que acham de mais tarde irmos tomar banho de piscina lá em casa?

 

— Ih hoje tem festa e ela não quer ir comigo. – Ana disse fazendo uma careta.

 

— Opaaa festa? –Tom disse animado. – Eu também quero ir.

 

— Eu tenho trabalho... Nem pensar.

 

— Você tem que aprender a relaxar gata. Qualquer coisa depois posso te ajudar a fazê-lo.

 

— Ahhh, mas como vocês são chatos! –Eu disse seria.

 

— Por favor gata... Vamos? Vai ser legal sairmos pra nos divertir um pouco. – Ele disse me olhando com carinha de cachorro que caiu da mudança. – Sem contar que eu posso dar um jeito do Bill ir e poderemos ajudar a Ana com ele.

 

— Tudo bem! –Eu disse irritada.

 

— Aeeee! –Ele disse empolgado. – Depois você me manda uma mensagem dizendo o local ok. – Ele disse olhando para Ana. – Agora temos que ir... Até mais tarde. –Ele disse me puxando pela mão.

 

Eu estava vendo que minha dor de cabeça só iria começar.

 


Próximo

 



 Alexandra

Finalmente depois de alguns dias eu pude voltar para a minha cobertura e fui obrigada a voltar para a minha realidade. Eu estava na recepção do prédio quando vejo Scott entrando com aquele sorriso que me tira até o fôlego, ele se aproximou e me deu um beijo estalado na bochecha.

 

 

— Bom dia gata. –Ele disse todo empolgado.

 

 

— Bom dia Scott.

 

 

— Cheguei ontem à noite e já fiquei sabendo do que aconteceu com você... Seus pais... Eu sinto muito.

 

 

— Tudo bem já foi, só não quero falar mais sobre isso.

 

 

— Eu queria poder estar aqui ao seu lado nesse momento difícil.

 

 

— Agora você está, então aproveite. –Eu disse tentando forçar um sorriso. – Mas o que você está fazendo aqui a essa hora da manhã?

 

— Vim dar uma carona pra minha garota... Não posso? –Ele disse rindo.

 

— Sua garota mora aqui no prédio é? Me apresenta ela então. –Eu disse dando de desentendida.

 

— Você me entendeu sua espertinha. Vamos.

 

— Mas eu já disse que não precisa me dar carona, eu moro a 2 quadras da Universidade.

 

— Mulher minha não fica andando a pé por aí não. –Ele disse já pegando em minha mão e entrelaçando nossos dedos.

 

— Desde quando sou sua mulher?!

 

— Desde o momento que coloquei os olhos em você. –Ele disse jogando uma piscadela.

 

Assim que chegamos em sua moto ele pegou um capacete e me deu e o outro ele colocou nele mesmo. Ele subiu na moto dando partida, subi e logo fomos juntos para a Universidade. Desde que conheci Scott e sua turma nos demos bem, claro que no início eu não dei muita bola, mas ele insistiu tanto que acabamos virando amigos. Ele é quem vem aguentando o meu mal humor nesses últimos tempos e o agradeço muito por isso.

 

Também sei que os seus sentimentos por mim são verdadeiros, mas não dou esperança e ele sabe bem o porquê e pelo menos aceita a minha eterna amizade em troca. Sempre conversamos sobre isso, quem vê até pensa que somos namorados mesmo, pois não desgrudamos um do outro, mas ele sabe que estou tentando restabelecer minha vida aos poucos e me ajuda muito com isso. Assim que chegamos ao estacionamento da Universidade já avistamos a turma encostado em seus carros e pra minha surpresa, avistei Bill, Tom e Ana do outro lado que com a algazarra da turma acabou me vendo.

 

— Droga. –Eu disse descendo da moto.

 

— O que foi?

 

— “Eles” estão aqui e pelo visto vão vir falar comigo. Vamos entrar logo.

 

— Relaxa, você está comigo. Você sabe que ninguém se aproxima se eu não quiser.

 

— Só quero evitar confusão, vamos logo.

 

Scott fez sinal pra turma que logo entendeu e veio em nossa direção, fomos entrando, ouvi Ana me chamando, mas fingi que não era comigo e logo fomos pra sala. Durante as aulas me enfiei de cabeça, pois as matérias são difíceis e Scott sempre me ajudava no que podia. Já na hora do intervalo fomos pro nosso cantinho secreto embaixo das arquibancadas e não demorou muito para que a nossa turma fosse chegando e se jogando em algum lugar pra se deitar e descansar um pouco. O mais engraçado é que alguns realmente dormiam com aquele barulho todo na quadra.

 

Quando o sinal tocou fomos direto para a sala e por sorte não vi Ana. O professor passou um mega trabalho, então pra ir adiantando assim que o sinal tocou, guardei minhas coisas, me despedi do pessoal e fui direto para a biblioteca, odeio deixar meus trabalhos pra última hora. Fiquei por horas ali dentro até que percebi que já era tarde, então guardei minhas coisas na bolsa e logo fui saindo, já era noite, a hora voou e nem percebi.

 

Eu estava faminta, então fui direto para uma lanchonete perto da Universidade mesmo, estava com preguiça de chegar em casa e ter que preparar algo pra comer, não é só porque tenho empregada que abuso da sua boa vontade. Fui logo procurando uma mesa vaga e assim que avistei fui me sentar e não demorou muito para que a garçonete viesse me atender. Eu estava perdida mexendo no meu celular quando me assusto com alguém a minha frente.

 

— Podemos conversar? – Ouvi Ana dizer calmamente.

 

— O que foi agora? Não deixei claro que quero ficar sozinha?

 

— Percebi mesmo hoje de manhã... Você com aquele cara...

 

— O que você quer? –Eu disse alterando minha voz. – Eu já deixei o seu caminho livre, o que mais você quer de mim?

 

— Eu só quero a minha melhor amiga de volta.

 

— Você foi clara e objetiva ao dizer o que pensa de mim. Lhe agradeço imensamente, pois assim percebi que nunca fomos amigas de verdade. Viva sua vida ao lado do Bill... Não era isso o que você tanto queria? Vai fundo!

 

— Mas é ao seu lado que eu quero estar, por que você não entende isso? –Ouvi a voz de Bill atrás de mim me fazendo dar um pulo na cadeira.

 

Logo o meu pedido chegou, pedi para o garçom embrulhar meu pedido porque seria para viagem, fui me levantando, mas Bill me fez sentar novamente.

 

— Não... Ela vai comer aqui mesmo e traga duas pizzas grandes de queijo e duas cocas grandes por favor.

 

— Pra que isso?

 

— Nós três temos que ter uma conversa definitiva.

 

— Não tenho nada pra conversar com vocês. Foi um erro esse namoro relâmpago... Tentem se conhecer, dê uma chance a ela Bill, acredite em você não vai se arrepender, pois a Ana te ama de verdade.

 

— O que tenho que fazer pra você entender que eu amo você e não ela. Você é minha namorada, a mulher que escolhi para estar ao meu lado e não ela.

 

— Eu não te amo ok. Esse namoro não iria dar certo mesmo...

 

Comecei a comer meu hambúrguer tranquilamente, eu realmente não estava a fim de ter aquela conversa. Não demorou muito para que os pedidos deles chegassem e eles começaram a comer também.

 

— Por que você não volta lá pra casa? Aquele lugar não é o mesmo sem você.

 

— Não se preocupe quanto a isso, estou preparando a documentação, até quarta a papelada chega só pra você assinar e acabaremos logo com isso. Estarei passando a minha parte pra você, não vou precisar mesmo. –Eu disse bebendo um gole da minha coca.

 

— Metade da mansão é sua também, eu não quero nada.

 

— Faça o que quiser, venda e use a minha metade pra uma doação. Não me importo.

 

— Para com isso Alexs, ser fria com a gente não vai te levar a nenhum lugar.

 

— Não estou sendo fria Bill, estou sendo eu mesma. Não ligo pra dinheiro, nunca liguei e não vai ser agora que isso vai mudar em mim. Não pretendo voltar a minha vida de antes, não pretendo voltar pra mansão, não pretendo voltar a amizade com a Ana, não pretendo voltar a namorar você... Aceitem os fatos.

 

— Você já parou pra pensar no que queremos com a nossas vidas? Não é só você que decide as coisas aqui.

 

Nisso Tom chegou todo afobado.

 

— Desculpem a demora, eu estava preso no escritório.

 

Eu estava vendo ali minha oportunidade de tirar Bill do meu pé, porque não dar uma chance ao Tom, por mais que eu os queira longe de mim, acho que se eu desse uma chance ao Tom, Ana teria uma chance com Bill.

 

— O papo está ótimo, mas eu tenho que ir, tenho coisas pra fazer. –Eu disse tirando o dinheiro da bolsa e deixando em cima da bolsa. – Tom, você não me daria uma carona?

 

— Claro. –Ele disse animado.

 

— Eu posso te levar. –Bill disse sério.

 

— Não precisa. Faça companhia pra Ana tenho certeza de que ela vai gostar.

 

— Pare de ficar me jogando pra cima dela! Minha namorada aqui é você!

 

Nisso notei os olhares das pessoas para o escândalo que ele estava fazendo.

 

— Não vou mais discutir com você com relação a isso. Tudo o que tínhamos ou pensamos que tínhamos acabou ok, então viva a sua vida que estou vivendo a minha.

 

— Tom, você leva a Ana pra casa eu levo a Alexs, ainda não terminamos a nossa conversa.

 

— Terminamos sim.

 

Sem dizer apenas me levantei puxando Tom comigo, não estava a fim de mais conversas com Bill, eu tinha que fazer alguma coisa pra me afastar dele e assim deixar o caminho livre para Ana.


Próximo

 


Ana

 

Já fazia 2 dias que estávamos no hospital e continuávamos na mesma, Alexandra precisou de uma transfusão, mas graças a Deus tudo correu bem, mas ela não acordava. Ver Bill e Tom sofrendo de uma maneira tão intensa estava acabando comigo e pensar que tudo isso foi por minha culpa. Se eu não tivesse brigado com ela nada disso estaria acontecendo com ela e seus pais ainda estariam vivos. Jamais vou me perdoar pelo que fiz com a minha melhor amiga.

 

Eu estava sentada em uma cadeira ao seu lado quando finalmente ela abriu os olhos. Assim que a vi me levantei e segurei em sua mão, ela levou um tempo antes de olhar pra mim.

 

— Graças a Deus você está bem amiga! –Eu disse feliz por ver que ela estava bem.

 

— O que você está fazendo aqui. –Ela disse friamente retirando sua mão da minha.

 

— Desde o que aconteceu eu não sai do seu lado. Fiquei preocupada.

 

— Dispenso sua preocupação. –Ela disse olhando para a janela. – Você não deveria ter aparecido na minha cobertura.

 

— Mas se eu não tivesse aparecido você... –Eu disse em choque.

 

— Sim teria morrido. –Ela disse me olhando com rancor. –Assim tudo se resolveria.

 

— Não diz isso amiga. –Eu disse começando a chorar.

 

Nisso a porta foi aberta e Bill entrou seguido de Tom e assim que a viram vi a vida voltar pra eles novamente.

 

— Alexs! –Bill Disse vindo rapidamente em nossa direção e a abraçando. – Não acredito que você está acordada! –Ele disse começando a chorar. – Eu fiquei tão preocupado que...

 

— Para de drama, infelizmente não morri então chega de frescuras.

 

— Alexs... –Tom disse olhando-a estranho.

 

— Não começa você também. –Ela disse secamente. –Odeio drama.

 

— O que houve com você?

 

— Nada Tom, essa aqui sou eu de verdade... Se não acredite pergunte pra Ana. –Ela disse me olhando com um sorrisinho sarcástico, ela havia voltado a ser a Alexandra que conheci, amargurada, antissocial, a que odiava estar perto das pessoas.

 

— Por favor me perdoa pelo que eu disse na festa... Eu estava fora de mim, você sabe como sou com relação ao Bill e...

 

— Você não me ouviu naquela noite, o que a faz pensar que vou te ouvir agora? Faça como eu... Vire a página de sua vida... É a melhor coisa que TODOS farão. Você não queria ficar com o Bill? Pronto! Caminho livre!

 

— Hey eu estou aqui!

 

— Não fique com raiva dela Bill, o amor cega as pessoas. Ela te ama incondicionalmente... Dê uma chance pra amizade de vocês... Você não vai se arrepender.

 

— Mas é você que eu amo!

 

— Mas eu não te amo! –Ela disse alterando a voz. –Desencana boy, vai viver sua vida porque comigo não rola NADA! Me entendeu ou quer que eu desenhe pra você?

 

— Porque você está fazendo isso Alexs? –Tom disse triste. –Querendo afastar todos que a amam?

 

— Sou uma garota oca Tom, o que você conheceu era uma camuflagem... Sou seca, não tenho sentimentos. Tudo o que era bom em mim morreu naquele maldito acidente! No acidente que levou o único homem que eu amava! O que restou é isso que vocês estão vendo! Não estou aqui pra agradar ninguém, então me façam um grande favor... Me deixem em paz e vão viver a vida colorida de vocês!

 

— Já chega! –Eu disse alterada. –Eu sei que errei ok! Sei que a morte dos seus pais foi culpa minha, sei que não tem volta pra essa merda toda, mas quero me desculpar por tudo e ter minha melhor amiga ao meu lado!

 

Nisso a porta foi aberta novamente e uma enfermeira entrou com uma cara nada boa e acabou nos expulsando do quarto.

 

Tom

 

Mais um dia se passou e ficamos proibidos de entrar no quarto de Alexs novamente por causa do ocorrido da última vez. Eu estava surpreso de como ela se transformou em algo que ela realmente não é, machuca demais ver a garota que amo se afastando cada vez mais de mim e eu não poder fazer nada. Bill estava desolado, não falava com ninguém, só queria saber de ficar no hospital tentando uma forma de se aproximar dela, eu conseguia sentir a dor do meu irmão, dava pra ver que ele realmente a ama.

 

Eu faria qualquer coisa pra poder estar ao lado dela, até mesmo dar mole pra enfermeira pra ela me deixar entrar e foi o que consegui depois de muito custo. Alexs estava sentada próximo a janela, olhando a paisagem e percebi que ela chorava em silêncio, me aproximei vagarosamente, me ajoelhei ao seu lado, estiquei o braço tocando seu rosto e enxuguei suas lágrimas que continuavam a cair. Ao sentir o meu toque ela apenas fechou os olhos, como era bom senti-la assim tão dócil, amável.

 

— Não chore... Por favor... –Eu disse puxando-a delicadamente e colando nossas testas.

 

— Acabou... –Ela disse chorando. – Não tenho mais nada... Thor... Meus pais...

 

— Você tem a nós meu anjo...

 

— Não... Tudo isso foi um erro meu desde o início... Se eu não tivesse entrado no mundinho cor de rosa da Ana meus pais não teriam morrido... Se eu não tivesse terminado com o Thor ele estaria aqui agora...

 

— Tudo isso aconteceu, mas estamos aqui com você.

 

— Não Tom. –Ela disse abrindo os olhos. – Se eu não tivesse vindo pra cá com esse sonho idiota eu não teria conhecido o Bill, teria grandes chances dele ficar com a Ana!

 

— Olha a merda que você tá dizendo! Se isso aconteceu é porque que tem um propósito... Se você não quer ficar com o Bill eu te entendo... Mas não se afaste de nós... Não se afaste de mim... –Eu o disse dando um selinho demorado.

 

— Por favor... Vá embora... Eu quero ficar sozinha...

 

— Não faz isso Alexs... Eu te amo... Sobre o que você viu... Não tenho nada com aquela garota, ela me pegou desprevenido e...

 

— Por favor Tom... Só quero ficar sozinha.

 

Sem ter o que dizer eu apenas me levantei e sai do quarto, eu tinha que conversar com Bill e Ana sobre isso, ela estava deprimida demais e tínhamos que fazer algo com relação a isso.


Próximo